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sexta-feira, 10 de maio de 2013

Edifícios “verdes”

Passamos boa parte das nossas vidas dentro de edificações, seja em casa, no trabalho ou no lazer. Eles são uma como uma extensão do ser humano, por isso temos que nos preocupar de que forma estes ambientes estão sendo projetados e construídos para o benefício da saúde dos próprios ocupantes e da natureza, evitando o que chamamos de edifícios doentes. Além disso, a construção civil está entre as atividades humanas que mais causam impactos ambientais no mundo.

Segundo dados da Anab (Associação Nacional de Arquitetura Sustentável), cerca de 50% dos recursos extraídos da natureza são destinados ao setor e, especificamente no caso do Brasil, ele é responsável pelo consumo de cerca de 40% dos recursos naturais e da energia produzida, 34% da água e 55% de madeira não certificada, além de responder pela produção de 67% da massa total de resíduos sólidos urbanos.

A indústria da construção civil no Brasil já despertou para estes números e está contribuindo para a redução de impactos através do que chamamos de Construção Sustentável. Trata-se de um sistema construtivo que promove alterações conscientes do ponto de vista ambiental, social e econômico, de forma a atender as necessidades da edificação e do uso do Homem, preservando o meio ambiente e os recursos naturais e garantindo qualidade de vida para as gerações atuais e futuras.

Nas construções sustentáveis, há um cuidado com o local e entorno do empreendimento, a eficiência energética da edificação, o uso racional da água, a gestão de resíduos, a qualidade interna do ar e as especificações de materiais sustentáveis. O processo envolve todas as etapas, desde compra do terreno, desenvolvimento dos projetos, construção, uso e ocupação e demolição. Como consequencia disso, as construções sustentáveis também proporcionam o melhor retorno para seus investidores e proprietários, menores custos na operação e mais saúde, conforto e produtividade para seus ocupantes. A sustentabilidade é uma nova postura estratégica nas indústrias, onde preocupar-se com as questões ligadas ao meio ambiente significa manter a própria sustentabilidade corporativa. Com o mercado competitivo e o aumento do poder dos consumidores, cada vez mais exigentes em termos ambientais, as empresas potencialmente poluidoras estão preocupadas com sua imagem e estão procurando adaptar-se aos novos tempos. Mas como toda novidade, deve-se ficar atento: afinal, como diferenciar as construções que são de fato ambientalmente responsáveis?

Para evitar o greenwash (*) e garantir a sustentabilidade do ambiente construído, existem algumas certificações que estão ganhando importância no mercado imobiliário. A certificação de construções sustentáveis engloba todas as etapas de um empreendimento, principalmente na fase de concepção e planejamento do projeto arquitetônico, que deve apresentar soluções que considerem condições ambientais como, temperatura, umidade, ventos, radiação solar e qualidade do ar, aliando essas condições a um bom aproveitamento da luz natural com o objetivo de causar o menor impacto ambiental possível. O selo verde com maior reconhecimento internacional no setor da construção civil e o mais difundido no Brasil é o LEED (Leadership in Energy and Environmental Design). Além dele, existem o Aqua, Procel Edifica e o selo Casa Azul.

A certificação ambiental já é realidade na construção civil e é cada vez maior o número de empreendimentos imobiliários com selo verde no Brasil. De acordo com o GBC (Green Building Council) Brasil, o país já ocupa a quarta posição no ranking mundial de construções sustentáveis. E até o final de 2013, quase metade dos edifícios comerciais em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba serão certificados ambientalmente.

A redução do consumo de água e energia é uma das vantagens das edificações certificadas e pode resultar em uma redução de até 30% no valor do condomínio. Além disso, os edifícios “verdes” apresentam menores custos de operação e manutenção e disponibilizam ambientes mais produtivos para trabalhar. As incorporadoras e construtoras que estão colocando em prática a construção sustentável também destacam como vantagem a valorização e o fortalecimento da imagem da empresa, além do aumento da velocidade de vendas das unidades.

Certificação LEED 

Leadership in Energy and Environmental Design é um sistema americano de certificação aplicado pelo USGBC (United States Green Building Council) que leva em conta o impacto gerado ao meio ambiente em consequencia dos processos relacionados ao edifício (projeto, construção e operação). Pontua soluções nas seguintes categorias:
1. Espaço sustentável
2. Uso racional da água
3. Eficiência energética
4. Materiais e recursos
5. Qualidade ambiental interna
6. Inovação e projeto
7. Créditos regionais Esta certificação possui um sistema de classificação dependendo da tipologia do projeto: LEED NC – Novas construções e grandes projetos de renovação LEED ND – Desenvolvimento de bairro (localidades) LEED CS – Projetos da envoltória e parte central do edifício LEED Retail NC e CI – Lojas de varejo LEED Healthcare – Unidades de saúde LEED EB&OM – Operação de manutenção de edifícios existentes LEED Schools – Escolas LEED CI – Projetos de interiores e edifícios comerciais

A certificação LEED de uma construção requer o atendimento a diversos requisitos técnicos, alguns deles obrigatórios. Com o atendimento a estes requisitos, é avaliada a pontuação mínima necessária para a certificação. A partir o atendimento a pontuação mínima necessária, pontos adicionais poderão ampliar no nível de certificação, de acordo com a escala apresentada abaixo:
LEED Certified – 40 a 49 pontos
LEED Silver – 50 a 59 pontos
LEED Gold – 60 a 79 pontos
LEED Platinum – 80 a 110 pontos